Anti-heróis, por Abril<br>contra a submissão

Carlos Gonçalves

No Público, com as suas conexões ao capital monopolista, à política de direita e ao anti-comunismo militante, João Miguel Tavares (JMT), sem renegar a génese de copista de enlatados ideológicos de serviço aos grandes interesses, é agora, no lugar de Pulido Valente e no «Governo Sombra» da TSF, um actor com novas tarefas na «guerra psicológica» total da direita retrógrada pela submissão do País.

Nestes dias, nas suas crónicas «o respeitinho é muito bonito» – um nome corrosivo e filo-fascistóide –, JMT escreveu dois textos de síntese do pensamento revanchista e da intervenção do PSD/CDS no novo quadro político.

Quinta-feira, JMT enaltecia os seus «heróis», os que em 4 de Outubro, de entre os «pelo menos 6 milhões» que «beneficiam de transferências directas do Estado» – trabalhadores, pensionistas, desempregados, beneficiários do RSI –, pelo menos 1,2 milhões «preferiram abster-se ou votar na direita», «contra o seu interesse próprio», «em nome do interesse do país».

Fica claro que a maioria de «parasitas do Estado» identifica os interesses dos trabalhadores e do povo com os interesses do País, em vez de, como faz JMT, identificar o interesse pátrio com a conta offshore dos senhores do capital supranacional e com o desígnio de concentrar riqueza e subjugar o País.

Uma questão de «valores». Porque raio os anti-heróis que «votam à esquerda», como diz JMT, não se resignam ao «sofrimento» e a preterir uma Pátria justa e desenvolvida para outra encarnação?

Terça-feira, JMT escreveu sobre as comemorações do 25 de Abril e a sua frustração, porque a democracia deveria ser apenas «apresentar uma alternativa política», sem conteúdo de «salvação de todo o sistema social e democrático».

E confessa «só não tem "uma postura anti-25 de Abril" quem continuar a fingir». JMT não finge, nem é «politicamente correcto», é como a direita sempre foi – reaccionário e revanchista, sempre à procura do ajuste de contas com o 25 de Abril.

Por isso, contra a direita e a política de direita, contra os ideólogos da exploração e da resignação, contra um presente e um futuro sem justiça nem soberania, é urgente lutar contra a submissão, pelos valores de Abril no futuro de Portugal.




Mais artigos de: Opinião

Tanto sarro, senhores...

Desde que foi arredado das cadeiras do poder o CDS descobriu uma nova vocação, que a bem dizer são duas: questiona tudo e mais um par de botas no que à actividade governativa e parlamentar diz respeito, e reclama a torto e a direito que os deputados sejam chamados a votar toda e qualquer...

Shakespeare

Há coisas com 400 anos que permanecem inteiramente vivas. Uma delas é a obra de William Shakespeare, sobre cujo falecimento passam este ano quatro séculos. Devemos recordar essa obra antes de tudo pelo seu incomparável valor intrínseco. Mas não é desajustado lembrar...

À nora

No dobar dos dias, a política tem biombos para esconder o que for preciso, pugnando para impor leituras da realidade que caibam na ideologia de quem os manobra. Num faz-de-conta desmedido, todos parecem fingir acreditar no que se impinge ou esconde à frente e atrás dos biombos, sendo certo que...

Este é o Partido que cumpre Abril<br>e honra Maio

Por todo País este é um justo tempo de comemoração e luta. Comemoração da Revolução de Abril, dos 40 anos da Constituição da República que consagrou as conquistas obtidas no processo revolucionário, com olhos postos numa grande mobilização para o 1.º de Maio e para as lutas que se lhe seguem.

Solidariedade de Abril

Nas comemorações do 25 de Abril os valores da solidariedade internacionalista ocuparam uma vez mais um lugar importante. O povo português não esquece que a revolução portuguesa, sendo obra sua é inseparável da solidariedade e da luta dos outros povos cujas...